Casa da Ipiranga – um passeio obrigatório em Petrópolis

ATUALIZAÇÃO: Após ter encerrado as visitas em 2019 por falta de recursos, a Casa da Ipiranga retornou suas atividades em dezembro de 2020, agora sob o nome de Casa de Petrópolis Instituto de Cultura. Todos os detalhes dessa reabertura podem ser encontrados no site Casa de Petrópolis. Vale enfatizar que atualmente, as visitas guiadas podem ser diferentes do descrito no post, pois estivemos lá antes dessas modificações.

A histórica cidade de Petrópolis tem atrações famosas e muito conhecidas, como o Museu Imperial, o Museu Santos Dumont e o Quitandinha. Nós tivemos a chance de conhecer e nos encantamos com todos eles, mas sem dúvida o lugar mais especial dessa viagem foi a Casa da Ipiranga, por vários motivos: entramos lá sem grandes expectativas e tivemos a grata surpresa de sermos guiados por um dos descendentes do dono da casa, que nos deu detalhes da sua família, nos contou das dificuldades em mantê-la, nos deu dicas preciosas da cidade e descreveu o lugar como só alguém que realmente ama aquele lugar seria capaz.

↠↠ post com nosso roteiro completo aqui: Roteiro em Petrópolis: 4 dias com 2 malinhas ↞↞

A Casa da Ipiranga tem esse nome por se localizar na Avenida Ipiranga, uma das mais conhecidas do centro histórico de Petrópolis, e onde ficam outras atrações como a Igreja Luterana, a casa de verão de Rui Barbosa e o Parque Natural de Petrópolis. Ela é conhecida também como Casa dos 7 Erros (porque um lado da fachada não é exatamente igual ao outro) ou Mansão Tavares Guerra (nome de seu proprietário original). É considerada uma das 4 únicas casas particulares do século XIX no Brasil ainda em estado original e foi pioneira na cidade em alguns aspectos: foi a primeira casa de Petrópolis a ter energia elétrica e na sua estrebaria ficava o primeiro relógio de torre. E até 1979 a família ainda passava temporadas ali.

Na antiga estrebaria hoje funciona um restaurante bem bacana, o Bordeaux Vinhos & Cia, citado neste post aqui: 5 lugares para comer em Petrópolis – inclusive foi procurando um restaurante para jantar que encontramos a casa, por isso só conseguimos vê-la à noite.

O Celso, sobrinho-bisneto do Sr. José Tavares Guerra, hoje é o responsável pela manutenção dela e pelas visitas guiadas. Para ajudar nos custos, ele promove eventos de música e apresentações numa das salas da casa. Foi ele quem nos recepcionou e contou tudo que aprendemos.

Começamos sabendo que o tal Tavares Guerra era abolicionista e republicano convicto, por isso se recusou a utilizar mão-de-obra escrava na construção e só trabalharam nela imigrantes que vieram da Europa (ele poderia ter utilizado ex-escravizados? talvez, mas não perguntamos). Também vieram da Europa praticamente todos os materiais para construção da casa – mármores, espelhos, papéis de parede, piso, móveis – e não por esnobismo, mas porque não haviam essas matérias-primas disponíveis no Brasil da época. A casa levou 5 anos para ficar pronta, sendo finalmente entregue em 1884.

O jardim é maravilhoso, considerado hoje o único do Brasil ainda em estado original e foi projetado pelo mesmo paisagista de D. Pedro II, que foi o primeiro a usar a flora brasileira em seus projetos.

Quem conduz a visita guiada é o Celso, como já contei acima, e ele abre a casa normalmente de sexta a domingo, a partir das 14h (em caso de feriados, como foi o caso da nossa visita, os horários são diferenciados), e o valor é R$ 10 por adulto (crianças até 7 anos não pagam). Assim como no Museu Imperial, os visitantes são obrigados a proteger os sapatos para não danificar o piso durante a visita, e utilizamos umas sapatilhas descartáveis que o próprio Celso disponibiliza.

A visita começa pelo Salão Dourado, logo à direita da entrada, que funcionava como uma espécie de sala de festas ou de visitas. Ela tem esse nome porque todas as paredes são revestidas de tecido dourado, e o lustre é uma réplica dos que existem no Palácio de Versalhes, feito de bronze e banhado a ouro. Há também vários anjinhos espalhados pelo teto, nessa e nas outras salas, pois a Sra. Tavares Guerra era muito religiosa e acreditava que os anjos protegeriam a casa.

Os detalhes são impressionantes e primorosos, até mesmo a maçaneta da porta é linda!

Ao lado, a próxima sala é o Salão Vermelho, ainda mais luxuosa: o papel de parede é feito com pó de ouro, e as paredes, nos cantos próximos ao teto, têm adornos em forma de instrumentos musicais  – também folheados a ouro.

O teto dessa sala é uma atração à parte, e representa um álbum de viagens do proprietário: há representações dos alpes suíços, do Egito, da Índia… os malinhas adoraram essa parte! Nessa mesma sala ficam vários retratos de família e uma lareira adornada com mármore carrara e um gigantesco espelho de cristal Baccarat.

Do lado oposto a essas salas fica a Sala de Jantar, toda revestida de jacarandá, e que hoje é utilizada para as apresentações e concertos promovidos ali. Eu adorei essa sala pois ali ficam também algumas preciosidades históricas: um gramofone, fotos antigas da própria casa (inclusive a primeira foto dela depois de pronta) e dos membros da família, uma maquete da casa, e novamente um lustre repleto de detalhes.

Subindo as escadas para o primeiro andar pode-se visitar os quartos, com parte da mobília original. Adoramos os soldadinhos de chumbo e outros brinquedos que ficam expostos numa cristaleira. E como a luz ali em cima é bem fraquinha, as fotos ficaram com uma aparência de casa mal-assombrada que os malinhas amaram!

O segundo andar, onde fica a capela, está fechado à visitação e não pudemos conhecer, infelizmente. Ficamos muito tocados com o amor e dedicação do Celso para manter esse legado de família, e adoramos como ele nos contou tantas histórias dos parentes que ali viveram. Toda nossa admiração e apoio para ele. Nesses tempos tão sombrios de ignorância e falta de incentivo à cultura de modo geral, apoiar quem mantém a história viva é fundamental!

Roteiro em Petrópolis aqui: Roteiro em Petrópolis: 4 dias com 2 malinhas

Dicas imperdíveis de onde comer em Petrópolis mereceram um post especial: 5 lugares para comer em Petrópolis Detalhes do Museu Casa de Santos Dumont: Visita à “Encantada” – o Museu Casa de Santos Dumont em Petrópolis

Links úteis

Blog do Celso

8 fatos e curiosidades sobre a Casa da Ipiranga, pelo site Sou Petrópolis

 

 

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Somos uma família de 4: eu, Cíntia, engenheira de formação mas que sempre gostei de escrever e viajar; marido, que me acompanha nas viagens (mentais ou reais) desde 2009; e nossos 2 malinhas, Letícia e Felipe, atualmente com 12 e 10 anos, que carregamos por todos os lugares desde que ainda estavam na minha barriga. Às vezes somos 5, quando meu enteado, atualmente com 19 anos, nos acompanha – os malinhas amam quando o irmão mais velho está junto!

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