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Livros para refletir sobre o racismo

Conteúdo atualizado em 1 de dezembro de 2023

O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, é atualmente feriado em seis estados do Brasil. A data se refere ao dia da morte de Zumbi dos Palmares, ocorrida em 1695, líder do maior quilombo da época colonial e considerado símbolo da resistência e luta dos africanos contra sua escravização.

Mas para muito além de ser um dia de folga, é uma oportunidade importante para reflexão e debate sobre questões relacionadas ao racismo e à promoção da igualdade racial. E uma ótima maneira de entender mais sobre o tema é através da leitura de livros que abordam o racismo em suas diversas manifestações, no Brasil e fora dele – afinal, a escravização de africanos foi prática em todo o Ocidente e deixou marcas profundas em todos os países.

Abaixo alguns livros muito bons, passados em países e tempos diversos, mas que fazem refletir sobre as várias facetas do racismo e seu impacto na vida das pessoas.

Mamãe & Eu & Mamãe, de Maya Angelou

Último livro publicado pela ativista, escritora, dramaturga, professora e poeta norte-americana Maya Angelou, Mamãe & Eu & Mamãe conta a conturbada história do relacionamento de Maya com sua mãe Vivian Baxter, após viver a maior parte de sua infância com sua avó materna. A narrativa é autobiográfica e passa por muitos temas: maternidade, casamento, família, perdão e reconciliação – tudo vivido sob o contexto dos EUA da década de 60, uma época de segregação racial e luta pelos direitos civis dos negros.

Um Milhão de Pequenas Coisas, de Jodi Picoult

Esse é um livro muito, muito bom, mas também muito dolorido de se ler. Um Milhão de Pequenas Coisas conta a história de Ruth, negra e mãe de um adolescente, uma enfermeira obstétrica experiente que trabalha no mesmo hospital há 20 anos, que se vê acusada de um crime grave por um casal supremacista branco. Defendida por uma advogada branca, que em princípio não quer usar o viés racial em seu processo de defesa, vemos a história se desenrolar de maneira alarmante conforme a mídia toma conhecimento e divulga o caso. O leitor também é apresentado a detalhes da vida de todos os envolvidos, o que facilita entender como os personagens chegaram até ali e porque agem do jeito que agem. Um livro que, mesmo depois de finalizado, deixa lembranças e faz pensar.

Pacientes que curam: O cotidiano de uma médica do SUS, de Julia Rocha

Um mosaico de retratos do Brasil periférico, atravessado pelo racismo, pela pobreza, pelo machismo, pela falta de perspectivas de uma vida melhor: esse é o melhor resumo de Pacientes que Curam. Dito assim parece um desfile de tristezas, o que não é bem verdade. A médica mineira Julia Rocha conta neste livro de pequenas crônicas uma sucessão de casos com que se deparou como médica no SUS – alguns realmente muito tristes, outros até engraçados, mas em todos o que faz a diferença é o paciente ser ouvido como ser humano e não apenas como um apanhado de sintomas médicos. E um traço comum a muitas das histórias é como a cor da pele pode agravar a situação já difícil do paciente. Um livro para rir, chorar, se emocionar e refletir.

Cachorro Velho, de Teresa Cárdenas

Um livro curtinho mas que causa um impacto grande em quem lê: Cachorro Velho se passa em Cuba e é um retrato triste e incômodo sobre a desumanização das pessoas escravizadas. Cachorro Velho é um homem já idoso, escravizado desde que nasceu num engenho de cana-de-açúcar, e que não se lembra nem do próprio nome real. Velho e cansado, vai vivendo dia após dia à espera da morte, que seria um alívio para tudo que já viveu – até que se depara com uma situação totalmente inesperada e toma uma atitude que mudará sua vida definitivamente.

A Vida Secreta das Abelhas

Uma história sobre mulheres e sua incrível capacidade de resiliência e conexão, indiferente às circunstâncias. A Vida Secreta das Abelhas é ambientada na Carolina do Sul (um estado dos EUA onde a segregação racial sempre foi forte) na década de 60 e conta a jornada de uma jovem branca em busca de informações sobre a mãe, morta quando ela ainda era bem pequena. Ela foge de casa e do pai violento junto com sua babá negra e encontra refúgio (e respostas) junto a três irmãs apicultoras – e é na casa delas que descobre não só as respostas que buscava, mas também as sutilezas do racismo dentro da sociedade e o poder da solidariedade e da união.

A Metade Perdida

É possível fugir das próprias origens? Ao final do livro A Metade Perdida pode-se chegar à conclusão que não. Duas irmãs gêmeas saem ainda adolescentes de sua cidade natal, uma pequenina comunidade negra ao sul dos EUA onde todos os habitantes têm a preocupação de produzir gerações cada mais claras. Mas elas se separam e tomam rumos completamente opostos: uma se casa com um homem negro e tem uma filha de pele muito escura, e a violência doméstica a obriga a retornar à cidade natal; a outra se casa com um homem branco e rico e passa a viver como branca, renegando qualquer contato com suas origens. Uma coincidência no futuro causa o reencontro e o choque de realidade entre ambas, após décadas de separação. Um livro interessante que aborda a questão do colorismo: não é só a cor da pele que faz diferença na vida das pessoas, mas também a tonalidade torna o preconceito mais ou menos explícito.


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3 respostas

  1. Este post sobre livros para refletir sobre o racismo é absolutamente necessário. Precisamos refletir diariamente para assumirmos uma postura antirracista.

  2. Já li a autobiografia da Maya Angelou “Sei porque canta o pássaro na gaiola” e achei bem impactante. E a vida secreta das abelhas, que é absolutamente maravilhoso. Eu acrescentaria à lista “Americanah” e “Purple Hibiscus” da talentosa Chimamanda Adichie e “As serviçais” de Kathryn Stockett

  3. Que seleção maravilhosa de livros para refletir sobre o racismo. É algo que precisamos sempre pensar para não errar e podermos ajudar a mudar os problemas que ainda hoje vivemos.

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