Parque da Rocha Moutonée e outros passeios em Salto

Moro em São José dos Campos já há mais de 20 anos, praticamente toda a minha vida adulta, meus malinhas nasceram aqui, adoro essa cidade e a considero realmente como meu lar. Mas eu nasci em outra cidade do interior de SP – Salto (a 100 km da capital) – que, embora seja batizada como estância turística, sempre achei que não fazia jus ao título. Qual não foi a minha surpresa quando, por insistência do marido (que hoje praticamente conhece mais a cidade que eu), conhecemos lugares fantásticos! Vale dizer que a minha percepção ainda é aquela da minha infância, talvez por isso não levasse a sério os lugares novos que valem muito a pena conhecer. Tenho que reconhecer que muita coisa mudou, muitas restaurações foram feitas, e tem um monte de fatos históricos super interessantes que eu não fazia ideia.

O legal foi que fizemos 3 passeios numa manhã de domingo – a cidade é pequena e tudo é muito pertinho.

Parque da Rocha Moutonnée

Começamos indo direto ao Parque da Rocha Moutonnée, famoso pelas réplicas de dinossauros. Essa rocha, que é um paredão de granito, guarda evidências das eras glaciais e das mudanças de temperatura daquela época. O nome vem do francês (significa “acarneirado”, pois a pedra lembra vagamente um carneiro), e segundo os entendidos, só existe no mundo uma outra formação rochosa igual na Austrália.

O parque me surpreendeu em tudo: estacionamento decente, sinalização ok, várias placas com explicações, tanto da parte pré-histórica quanto da história da cidade (há também vários avisos que ali na região há incidência grande do carrapato que transmite a febre maculosa – por causa disso fiquei me coçando o tempo todo), banheiros e um barzinho. A vegetação está bem preservada e havia até um grupo de observadores de pássaros, com suas câmeras e lentes poderosas.

Mas a grande atração mesmo são as réplicas de dinossauros. Em Gramado já tínhamos visto dinos no Parque Florybal e no Vale dos Dinossauros (contei aqui), e digo que achei que os do Parque Moutonée não ficaram atrás, apesar de serem em menor número. O ambiente é mais, digamos, selvagem, e por isso Malinha #2 ficou bem impressionado e com medo, tadinho… logo ele que adora dinossauros!

No fim da trilha há um mirante para o rio Tietê, de onde se vê parte da cidade e uma ilha no meio do rio.

Meu pai, que estava conosco e nasceu, cresceu e morou na cidade a vida toda, ficou se lembrando com nostalgia do tempo que as pessoas nadavam por ali livremente e como era bonito o lugar. Hoje, o trecho do rio que passa pela cidade já passou por São Paulo e por isso está muito sujo e cheio de lixo, além do mau cheiro. Ainda assim se vêem muitos peixes e passarinhos que continuam por lá… me deu muita pena de ver aquela situação. Seria uma paisagem ainda mais linda se não fosse a sujeira.

Em meio à trilha há também painéis explicando as eras geológicas e a história da evolução das espécies.

Pelo fato da região ter sido rota dos bandeirantes, há muitas lendas e histórias sobre tesouros enterrados e monstros assustadores. Os malinhas ficaram fascinados com a possibilidade de encontrar uma arca do tesouro!

Museu da Cidade de Salto

Do parque seguimos para o Museu da Cidade de Salto. Na minha lembrança, ali funcionava um teatro, mas já há algum tempo foi totalmente reformado e se tornou museu – aliás, um museu super bem feito, com detalhes da história da cidade e do prédio (que data do começo do século XX). Me lembrou bastante o Museu da Imigração, em São Paulo. Coisa mais linda foi o entusiasmo da minha Malinha #1 quando dissemos que íamos a um museu: “adoro museu!” 

O prédio foi construído pela colônia italiana da cidade e foi muitas coisas, inclusive uma escola – meu pai estudou ali na década de 50, os malinhas ficaram fascinados por estar no lugar onde o vovô estudou! (acho muito legal e super incentivo esse contato com a história da família). O acervo tem um pouco de tudo: conta a história do prédio, da imigração italiana para a cidade (inclusive com um computador onde se pode pesquisar documentos dos imigrantes – nós achamos o registro da minha trisavó!), da indústria de tecelagem, responsável por um boom econômico que gerou muitos empregos (tem uma maquete muito interessante da principal fábrica – chamada Brasital – e as casas construídas em volta dela), do crescimento da cidade e suas principais tradições… e o que mais me encantou: uma réplica de uma casinha de taipa com explicações da vida dos escravos que vieram trabalhar nas fazendas da região e toda a herança cultural que eles e seus descendentes deixaram ali.

Ao lado, um cantinho de leitura para as crianças com um monte de livros novinhos em folha, todos com temática da cultura africana ou com personagens negros. Achei fantástico! Malinhas adoraram!

E ao final, um pouco sobre as tribos indígenas que habitavam aquela área, bem como a história da fundação da cidade e da polêmica da troca de nome, de “Salto de Itu” para apenas “Salto”.

Numa sala ao lado, onde funcionava o cinema, uma antiga máquina de exibição de filmes (tem um nome específico pra ela? não lembro), as poltronas de madeira da época, uma porção de cartazes de filmes antigos que foram exibidos ali. De novo meu pai foi tocado pela nostalgia, se lembrando de quantas vezes havia frequentado aquela sala quando jovem. Nesses nossos tempos digitais, uma lição e tanto para meus malinhas.

Passeio imperdível, não só pra quem é da cidade. Tem muita história da região ali, distribuída de maneira didática e bem feita. E é de graça!

Mirante da Ponte Estaiada

Dali seguimos a pé para o Mirante da Ponte Estaiada, ponto turístico inaugurado esse ano e estalando de novo. Me lembro de ouvir da construção de uma nova ponte e da duplicação da estrada que leva até Itu desde criancinha – a duplicação saiu já há alguns anos, a ponte demorou um pouco mais. Ao lado da ponte construíram um mirante, por onde se sobe de elevador, e de lá de cima se tem uma visão panorâmica da cidade – que não tem nada de especial, a meu ver, mas a vista é bonita. 

Parque da Rocha Moutonnée e outros passeios na cidade de Salto, no interior de SP.

Do alto se vê o rio Tietê, a queda d´água que dá nome à cidade, e com dia claro, boa parte da cidade. A entrada também é gratuita.

Esses são os passeios que fizemos numa única manhã, e é possível combiná-los com outros ali por perto.

Gostou? Para saber mais de passeios ali da região, confira os posts abaixo:

Memorial do Rio Tietê e Complexo da Cachoeira em Salto com 2 malinhas

Museu da Água em Indaiatuba

Site da prefeitura de Salto aqui: Prefeitura da Estância Turística de Salto

Mais passeios pelo interior de São Paulo aqui:

Roteiro pelo centro de São Luiz do Paraitinga com 2 malinhas

Hopi Hari com 2 malinhas

Roteiro em Guararema com 2 malinhas

Museu Aeroespacial em São José dos Campos

O que fazer em Paranapiacaba com 2 malinhas

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Somos uma família de 4: eu, Cíntia, engenheira de formação mas que sempre gostei de escrever e viajar; marido, que me acompanha nas viagens (mentais ou reais) desde 2009; e nossos 2 malinhas, Letícia e Felipe, atualmente com 12 e 10 anos, que carregamos por todos os lugares desde que ainda estavam na minha barriga. Às vezes somos 5, quando meu enteado, atualmente com 19 anos, nos acompanha – os malinhas amam quando o irmão mais velho está junto!

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